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O conflito entre 'eu real' e 'eu ideal'-Flávio Gikovate

O conflito entre 'eu real' e 'eu ideal'
                                           Flávio Gikovate psicanalista e psicoterapeuta



Não é de hoje que a busca pelo padrão de beleza ideal acompanha o homem. Desde sempre, com maior ou menor ênfase, essa questão preocupou, gerou debates, reflexões e deu causa a muitos problemas. Não por acaso, um número cada vez maior de pessoas, de todas as faixas etárias, classes sociais, demonstra insatisfação de ordem estética. Para falar sobre o tema e seus desdobramentos à luz da contemporaneidade, o psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate faz, dentro da programação do 4º Simpósio da Rede de Assistência em Saúde Mental “Jardim das Acácias”, a palestra “O Belo, o Eu e o meu Espelho”.





O evento acontece depois de amanhã, terça-feira, às 19h30, no Teatro Municipal. Um dos mais respeitados especialistas, autor de 25 livros que discutem a vida social, afetiva e sexual, Gikovate conversou com o Mais Cruzeiro. A primeira pergunta pretende saber do palestrante por que é tão grande o nível de insatisfação entre as pessoas no que se refere à própria apresentação. Gikovate responde que o problema “é universal”.




Ele parte do pressuposto de que no afã de alcançar a forma ideal, quem experimenta essa sensação, alimenta, quase sempre, um sentimento de inferioridade. Homens e mulheres travam verdadeira batalha dentro de si para confrontar o que o psicanalista chama de “eu real” e “eu ideal”. “Todos recorrem à comparação, estabelecem paralelos, querem seguir um modelo do ponto de vista físico”, ele diz. Gikovate atribui esse quadro, que às vezes pode se tornar obsessivo, ao que definiu como “amplificação da importância de se manter boa aparência”.




Os meios de comunicação, comentou, promovem verdadeiro bombardeio e vendem como verdade o conceito de que o belo está associado ao uso de determinado produto, ao consumo de bebidas (“caso dos anúncios de marcas de cerveja que se socorrem de modelos”) ou a uma forma de conduta. A sociedade, ainda de acordo com Gikovate, “prega valores extraordinariamente aristocráticos”. Em compensação, não faz o mesmo com questões que demandaria enfoque positivo.




“Não se assiste, infelizmente, a campanhas que preguem a virtude moral, mas reforça-se, sempre, que tal xampu pode fazer da mulher uma pessoa melhor, porque seus cabelos ficarão mais bonitos, sedosos”. O culto à vaidade, acrescenta o especialista, não está necessariamente associado a alguma patologia, mas é preciso não menosprezar os riscos oferecidos por seus efeitos: “Nunca os jovens beberam tanto, usaram tanta droga. Os valores precisam, sim, ser reavaliados”.

Fonte da pesquisa: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=42&id=326273









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